A partir deste ano, os camarotes só poderão ser montados depois de os responsáveis apresentarem projetos para o manejo de resíduos sólidos com a coleta seletiva do lixo e outro de acessibilidade, com a garantia de mobilidade a pessoas com necessidades especiais.
As normas foram estabelecidas pela Sucom, que promete fiscalizar, multar e até fechar os camarotes que não estiverem de acordo com as exigências. Apesar do aparente rigor, o número de fiscais permanecerá o mesmo do ano passado, com 86 funcionários em esquema de plantão, de acordo com o coordenador executivo da Central de Licenciamento de Evento da Sucom, Augusto Rios.
Em 2008, a Sucom emitiu 464 alvarás de construção para camarotes e praticáveis durante a festa. Chegou a ser divulgado na época que todos deveriam fazer a coleta seletiva dos materiais recicláveis. No entanto, não houve fiscalização e poucos se mobilizaram.
Números da Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (Limpurb) indicam que na festa do ano passado foram descartadas 1.542 toneladas de lixo. Segundo a técnica de operações do órgãos, Fátima Sampaio, o maior desafio é ampliar a quantidade de material reciclado, em especial os sacos, embalagens, latas de ferro e copos plástico.
“Quase 100% das latas de alumínio são coletadas pelos catadores de cooperativas ou autônomos. Agora, precisamos de organização para aumentar a demanda e evitar que produtos recicláveis acabem no aterro sanitário“, explica.
Fátima explica que os donos de camarotes terão de mostrar um Plano de Gerenciamento de Resíduos, no qual terá de constar como irão separar os materiais reaproveitáveis dos não recicláveis. Em seguida, os projeto deverá mostrar como será o condicionamento desses resíduos até a coleta da Limpurb.
No caso das ações para facilitar a mobilidade dos portadores de necessidades especiais, o superintendente da Sucom, Cláudio Silva, assegura que será cobrado a colocação de rampas adequadas para cadeirantes, além de itens que facilitem a circulação desse público pelo camarote.
A idéia agradou a arquiteta Islândia Costa, membro da Vida Brasil na Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador (Rede Cocas). Islândia aconselha que os camarotes tenham espaços como sanitários exclusivos para deficientes e que as ações não fiquem restritas as rampas de acesso.
“No caso dos deficiente visuais, por exemplo, deve-se pensar em sinalização tátil em relevo, além de fontes grandes, no caso dos que têm pouca visão. E não se pode esquecer de treinar os funcionários para que os portadores de necessidades sejam recebidos da melhor maneira possível.
Questionado sobre os novos rigores exigidos pela Sucom, o gerente de produção da Axé Mix, Hamilton Filho, não acredita que cause impactos nos grandes camarotes da folia. Ele lembra que há pelo menos dois anos algumas estruturas já fazem parcerias com cooperativas de catadores para reciclagem de lixo.
Sobre os meios de acessibilidade, garante que terá de buscar mais informações sobre os itens que serão exigidos pela Sucom. Porém, lembra que hoje já há uma cobrança para que os camarotes tenham rampas de acesso. No caso do Cerveja & Cia, que é vendido por preços que oscilam entre R$ 200 e R$ 300, são colocados até banheiros químicos exclusivos para portadores de necessidades especiais.
A mesma opinião é compartilhada pelo diretor comercial do Camarote Planeta Othon, Clínio Bastos. Com o apoio de estrutura de um hotel de luxo no circuito Barra-Ondina, Bastos se mostra solícita para se adequar. “Temos clientes fiéis que são portadores de necessidades especiais e reservamos locais diferenciados, para que possam curtir a festa próxima da sacada e com mais conforto“, completa.
07/01/2009