Investir em parcerias locais é uma das saídas encontradas para a sustentabilidade das Organizações Não-Governamentais frente à crise internacional, segundo a avaliação do sociólogo Domingos Armani. A avaliação do também Mestre em Ciência Política, e consultor de Desenvolvimento Institucional de organizações da sociedade civil brasileira e internacional, se deu durante evento que discutiu o impacto da crise financeira na Mobilização de Recursos e sustentabilidade das ONGs e a perspectiva no acesso a fundos públicos, realizado em Fortaleza.
Conforme explicou Armani, devido à mudança de foco das Agências de Cooperação Internacional para as regiões Norte/Nordeste do Brasil, ocorrido há pelo menos dez anos, e mais recentemente, a centralização dos investimentos dessas mesmas Agências na região Amazônica, a previsão, não muito otimista, é que somente terão acesso aos recursos das agências financiadoras estrangeiras aquelas instituições preocupadas com as questões ambientais, dada a preocupação mundial com o tema.
Com isso, além de desenvolver a ações para a conscientização da comunidade sobre a degradação do planeta e de como contribuir para contê-la, objetivo que vai ao encontro dos anseios das agências de cooperação internacional, outra saída para a sustentabilidade das entidades do movimento social brasileiro é aproximar-se cada vez das empresas locais. Sensibilizar as empresas, potenciais parceiras, para a importância do investimento social é a grande questão para a sustentabilidade das entidades do terceiro setor.
Para o coordenador geral da Vida Brasil Fortaleza, Patrick Oliveira, presente à discussão, o momento serviu para alertar, e de forma contundente, sobre a necessidade das ONGs investirem na mobilização de recursos em nível local/nacional, ou, se assim não o fizerem comprometerão sua sustentabilidade a médio prazo. Segundo Patrick, o investimento deve se dar, e de forma profissional, na educação política da sociedade, em atrair voluntários, e em se afirmar políticamente na sociedade, além de claro, fazer novas parcerias. O importante é articular ação política com mobilização de recursos. Como bem colocou Domingos Armani: "Nossa sustentabilidade é a consolidação da nossa base social e a nossa visibilidade, os recursos são consequência".
O Seminário reunindo cerca de 40 representantes de ONGs cearenses foi uma promoção da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais(ABONG) e Aliança Interage em parceria com o Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (DED)e o Cearah Periferia.
26/05/2009